quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Para Amanda:


Ei, me pergunte se eu gosto de você.
Respondo, te amo.
Me pergunte o que eu quero.
Fugir daqui e cair nos seus braços.
Pergunte um sonho meu.
Tenho um sonho nosso.
Vivo, agora vivo
Nos instantes que penso em você
me transporto pra Minas.
Fechar os olhos em plena avenida
lotada de carros e gente.
Fechar os olhos e acreditar que estamos numa esquina
montessionensse, fazendo juras de amor.
Fechar os olhos e acreditar que estamos a um palmo.
Exercícios do amor. Exercícios mentais do amor.
Sonhar contigo, e acordar bravo,
desejando mais um minuto de sonho.
Tentar dormir novamente pra ficar junto
Deitar na cama olhando pro teto
traçando um futuro, o futuro que agente deseja.
Olhar pra tela do computador querendo tocar as suas palavras
querendo ouvi-las.
Pintar um quadro lindo, pensando que tem que ser o mais lindo.
Escrever um texto bom, pensando que deve estar impecável.
Olhar para o espelho, querendo ser mais bonito.
Privar de coisas prazerosas sem nenhum problema
Falar verdades sem medo.
Confessionar absurdos
Ser eu mesmo



São Paulo e Eu

Estou descobrindo
a essência deste município
A grandiosidade disso
Tanta gente que eu, mineiro do interior, fico abismado
De custume faço minhas anotações
Um bloquinho de sugestões e reclamações
transcritas em forma de desenhos, poemas e narrações.
Um dia desses me perguntaram porque eu fazia isso!
Porque?
Porque alguns devem fazer.
Cientistas da humanidade.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007


Oh bem estar de estar tocando! E vamos todos nós amigos pra porão cada um com sua cabeça, seu instrumento, seu talento e suas idéias, daí o som flui, atraindo os amigos íntimos, as namoradas, o cachorro e quem mais que queira ouvir. E assim vai e vai até onde eu não sei, mas é o começo, um ninho musical, ovos prontos pra se quebrar e voar, voar, voar...entre notas, harmonias, palcos e tudo isso.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

A biografia de Censório

Censório, filho de Esperança e Artur, nasceu no Rio. Nasceu junto à ditadura militar e talvez por isso mais tarde houvesse decidido morrer com ela.

Seus pais eram finos apreciadores da música em suas melhores formas e, desde que Censório nadava na barriga de sua mãe, já era embebido com música, muita música. Esperança e Artur acreditavam que a única coisa que poderia mudar o Brasil era a música.

Aos oito anos Censório pediu seu primeiro violão de presente. Ganhou na hora obviamente. Passava todo o seu tempo praticando e tendo aulas com seus professores, seus grandes mestres, os discos. Tirava tudo de ouvido, não sabia nada de partitura, era um gênio.

Aos dez já era o sucesso da família, em todas as festas o garotinho tocava, alegrando os tios, primos, avós, cachorro e tudo que podia ouvi-lo. Nesse tempo escreveu sua primeira música:

“Meus dez anos viveram com muito amor

Aprendi música, e hoje toco com fervor

Ainda não tenho uma namorada

Mas logo conquistarei

Ainda sou menino paralitico

Mas um dia levantarei

Serei grande isso eu sei

Pra dar tiro em político”

Num Natal de família o garotinho tocou sua música, foram trinta segundos de atenção. Depois só se perguntava: da onde ele tira tanta coisa com apenas dez anos? Nesse dia os pais de Censório já imaginavam o homem que ele seria.

Com quinze anos o rapaz foi ao seu primeiro show. Assistiu “Os Debutantes” bem de perto. Apaixonou-se pela guitarra elétrica. Apaixonou-se pelo público. A partir daquele dia ele decidira que a música fazia parte dele, era um órgão, algo vital. Queria vomitar tudo o que sentia para o povo.

Começou a sair de casa, ia a bares onde os músicos se encontravam. Ia se aproximando devagarzinho. Usava da sua pouca idade pra conquistá-los. Foi se afundado nessa onda de amizades e logo já fazia parte daquilo tudo. Era o caçula da turma, da turma mais intelectual e doida da cidade maravilhosa.

Aos dezesseis já assinava músicas com os grandes da MPB, já tocava em alguns bares, mas nunca havia subido em um grande palco, ainda não tinha uma legião de fãs, e era isso que ele queria. Sua chance estava chegando, o grande festival de música da maior rede de TV já estava com as inscrições abertas. Era a hora, músicas não faltavam, faltava idade.

Depois de muito choramingar convenceu seus pais e seus amigos músicos a ir junto para São Paulo. Deram um jeito de inscrevê-lo e pronto ele já estava.

Atrás das cortinas só se ouvia os berros, as vaias e tudo mais. Era um calor infernal, e uma tensão no ar. Havia militares em todos os cantos, prontos para intervir se alguém contrariasse a censura. Censório dentro do camarim ouviu seu nome. Estava calmo apesar de tudo. Abriu a porta e se posicionou na frente da cortina olhando reto. As cortinas se abriram e lá estava o rapaz, fardado, com uma pistola em uma mão e uma guitarra na outra. As vaias começaram. No meio da confusão se ouviu um tiro e viram um corpo no chão. Censório suicidou-se no palco. O silêncio foi unânime. Censório havia se tornado herói. Matou a ditadura e foi junto com ela. Torturá-la.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007


Ré à Vida

Feriado, um feriado, O feriado. Junto estávamos todos nós, cada vez mais amigos, cada vez mais unidos. Caixas e caixas de cerveja, caixinhas de cigarro, motor quebrado, pinga, grama, pelados no rio, cabeça raspada, filmagens, fotos, produções, papos e papos, música ruim, música boa, cortes, tapas, queimaduras, riscos, nóias, brisas, bolachas, paixões. Um feriado repleto de tanta coisa! Essa é a vida que eu quis, um mundo inteiro pra nós em alguns dias, lembranças pra lembrar e contar para os filhos, para os netos!

AMIGOS, AMO VOCÊS!

quarta-feira, 19 de setembro de 2007




No fim de semana...

Estavam sentados os dois num buteco. Cerveja, uns cigarros queimando. Proseavam prazerosamente sobre os velhos tempos. Velhos tempos recentes. Refrescaram suas memórias dos dias que choraram por sua paixões mal resolvidas, dos dias que se entorpeciam de maneira descontrolada, quando saiam de casa e voltavam cedo, bem cedo, das gargalhadas e tudo mais. Ali na mesa de bar criaram mais uma dessas memórias a serem lembradas dali a mais uns anos. Mémorias todas essas construídas por amigos, se amando platonicamente.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Dia de Cão

Gustavo, embriagado de tédio e saudade, juntou suas tralhas e foi direto ao ponto de ônibus.Estava mal, numa leve depressão. A vida na cidade grande, juntamente a sua esgotante rotina de estudos, fez dele uma máquina triste e solitária durante algum tempo.
No ponto de ônibus ele não se aguentava, ancioso para chegar naquela pacata cidadezinha, onde ele havia passado praticamente toda a sua adolescência. Seus amigos também o esperavam, mas quem mais desejava ve-lo era sua menina, sua namorada, sua paixão flamejante a ponto de doer de saudade. Gustavo namorava a distância, enorme distância para ele e para ela...já que as horas de viagem triplicam quando se depende das latas de sardinha gigantes.
As horas naquele dia andavam devagar, já corriam duas desde que ele havia saido de sua casa. O circular com destino a rodoviária que diariamente passava de 20 em 20 minutos, naquele dia ainda não tinha passado. Gustavo pensou num táxi, mas o pensamento expirou rapidamente já que ele estava financeiramente fraco, muito fraco. Resolveu usar suas pernas mesmo. Caminhou durante uma hora por entre as agitadas ruas daquele formigueiro imenso, sujo e cruel.
A rodoviária estava um caos, manifestantes bloqueavam os ônibus nas saídas, reivindicando a diminuição do preço das passagens. Depois de algum tempo as brigas floresceram, já que muitos precisavam sair da rodoiária em seus onibus. Longas horas de caos até tudo ficar calmo. O sol ja escondia e Gustavo ainda não tinha comprado sua passagem. Foi se enfiando entre a multidão e conseguiu chegar ao guiche da empresa. Comprou exatamente a última passagem às sete horas da noite. Ainda eram seis, ele resolveu comer algo. Entrou numa lanchonete qualquer e pediu um guaraná e uma coxinha. Guaraná quente e coxinha pingando gordura. Pagou, foi ao banheiro e dpois desceu a plataforma 17. Nesssas hora se sentia um pouco aliviado de estar ali já, depois de tanto sufoco.
O ônibus veio atrasado, lotado. Gustavo procurou sua poltrona. Sentou-se ao lado de um senhor, um cego. Nos bancos a frente estavam duas mulheres que não paravam de falar de novelas. No banco de trás uma mulher acalmava seu três filhos, trigêmios.
As nove da noite o ônibus deixava o caos e caia nas longas rodovias. A viagem foi tranquila. Depois de algumas horas, Gustavo se levanta, ele chegou ao seu destino, despediu-se do cego, pegou suas malas e saiu, quase que correndo para a sua casa. Chegou matou um pouquinho a saudade dos pais, tomou um banho e já desceu ao encontro do pessoal. Bateu a casa de sua namorada:
-Te amo
- Eu sei!
Pegou a mão da menina e foi encontrar os amigos...Beberam, riram se divertiram. Aquele finalde dia, aquela noite valera todos os dias que ele havia passado na enorme cidade. Foi o refúgio dos sentimentos daquele incrível rapaz!